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IA generativa já responde por 12% da produtividade industrial, diz estudo

Levantamento da Fundação Getulio Vargas mostra crescimento acelerado entre 2024 e 2026, com destaque para automação de processos e atendimento ao cliente. País ainda perde para média global de 18%.

Por Lucas Fontes  •  São Paulo 05/05/2026  •  08h00
Servidores e cabos
Centro de dados em Hortolândia, interior de São Paulo, processa modelos de IA usados por dezenas de indústrias — Foto: Marília Castro/O Diário

O uso de ferramentas de inteligência artificial generativa já é responsável por 12% dos ganhos de produtividade na indústria brasileira, segundo estudo divulgado nesta terça-feira (5) pela Fundação Getulio Vargas em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento. O índice mais que dobrou em 18 meses — em outubro de 2024, a contribuição era estimada em 5,1%.

O levantamento ouviu 2.143 empresas com mais de cem funcionários em 14 setores industriais. Para cada companhia, os pesquisadores compararam métricas de produção entre 2023 e o primeiro trimestre de 2026, ajustando por investimentos em equipamentos, mão de obra e energia. O resíduo associado ao uso de IA foi então isolado por meio de modelos econométricos validados internacionalmente.

Onde está o ganho

Os principais focos de produtividade não estão na linha de produção em si, mas em atividades-meio. Atendimento ao cliente automatizado, geração de relatórios técnicos e análise preditiva de manutenção respondem juntos por 71% do impacto medido. Apenas 9% se refere a uso direto de IA em processos fabris, como controle de qualidade por imagem ou otimização de receitas químicas.

Estamos vivendo a fase em que a IA é uma melhoria silenciosa nos bastidores. O salto na produção física virá nos próximos cinco anos, quando a tecnologia chegar ao chão de fábrica. — Marcela Andrade, coordenadora do estudo

O setor que mais avançou foi o farmacêutico, com contribuição de 19% — quase o dobro da média industrial. Em segundo lugar, aparecem máquinas e equipamentos (16,4%) e químico (15,8%). No outro extremo, indústrias têxtil e de couro registram apenas 4,2%, refletindo menor digitalização e dificuldade de acesso a profissionais qualificados.

Brasil ainda atrás de pares globais

Apesar do salto, o país segue distante de economias mais avançadas. Estudo similar conduzido pela OCDE em 2025 apontou contribuição média de 18% nos países membros e de 24% nos Estados Unidos. A diferença é explicada principalmente por dois fatores: custo de infraestrutura de nuvem — em média 38% mais cara aqui — e escassez de profissionais com formação específica.

"Temos uma base produtiva forte, mas falta o último elo, que é a integração entre dados industriais e modelos de IA", afirmou ao Space Liberdade o economista Reinaldo Belfort, do BID. Para ele, o gargalo brasileiro está mais na capacidade de implementação do que na disponibilidade de tecnologia.

O que vem por aí

O estudo projeta que, mantido o ritmo atual, a contribuição da IA generativa para a produtividade industrial brasileira deve atingir 22% até o fim de 2028. O cenário otimista — que pressupõe redução de tarifas sobre infraestrutura de computação e ampliação dos cursos técnicos do Senai — coloca o número em 31% no mesmo horizonte.

O setor privado já se movimenta. A Confederação Nacional da Indústria anunciou no mês passado um programa de R$ 1,2 bilhão para subsidiar a adoção de IA em micro e pequenas empresas industriais. A primeira chamada, com 800 vagas, recebeu mais de 4.300 inscrições.

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