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Economia  •  Inflação

Inflação fecha abril em 0,32% e surpreende mercado

Resultado abaixo do esperado reforça aposta em corte de juros na próxima reunião do Copom; dólar fecha em queda de 0,8% e Ibovespa renova máxima histórica acima dos 145 mil pontos.

Por Mariana Castro  •  São Paulo 05/05/2026  •  09h12  •  Atualizado às 11h35
Mercado financeiro
Pregão da B3 nesta terça reagiu com forte alta após divulgação do IPCA — Foto: Divulgação/B3

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência da inflação oficial, fechou abril com alta de 0,32%, segundo dado divulgado nesta terça-feira (5) pelo IBGE. O resultado ficou bem abaixo da mediana das projeções coletadas pelo Space Liberdade com 31 instituições financeiras, que apontavam variação de 0,42%. No acumulado em doze meses, a inflação está em 3,68%.

É o quarto mês consecutivo de surpresa positiva — leia-se, abaixo do esperado — para o IPCA, e o número mais favorável dentro deste ciclo. O resultado consolida a leitura, predominante no mercado, de que o Banco Central poderá retomar o ciclo de cortes na taxa Selic já na reunião do Copom marcada para 18 de junho.

O que pesou e o que aliviou

Entre os nove grupos pesquisados, seis registraram queda ou variação próxima de zero. O grupo Alimentação e Bebidas, que vinha pressionando o índice nos meses anteriores, recuou 0,18%, puxado pela queda nos preços de tomate (-7,4%), batata-inglesa (-9,6%) e cebola (-3,1%). Os preços de carnes, que subiram em janeiro e fevereiro, desaceleraram para alta de apenas 0,21%.

Os fatores conjunturais que sustentavam a inflação se dissiparam. Não há mais argumento técnico para manter a Selic no patamar atual. — Lia Valls, economista-chefe da Itaú Asset

No outro extremo, o grupo Saúde e Cuidados Pessoais subiu 0,87% e foi o maior responsável pela alta do mês, refletindo o reajuste anual de medicamentos autorizado em abril. Habitação ficou praticamente estável, com variação de 0,09%, ajudada pela queda de 1,8% na conta de energia elétrica residencial.

Reação dos mercados

Os ativos brasileiros reagiram com forte otimismo. O Ibovespa, principal índice da B3, fechou em alta de 1,84%, atingindo 145.927 pontos — recorde nominal histórico. O dólar caiu 0,82%, encerrando o pregão a R$ 4,82, menor patamar desde dezembro de 2024. Já a curva futura de juros sofreu forte redução, com o contrato de DI para janeiro de 2027 caindo 22 pontos-base, para 9,71%.

"O mercado já estava precificando dois cortes de 0,25 ponto até o fim do ano. Com o número de hoje, passou a precificar três cortes, e há quem fale em movimento de 0,50 logo na primeira reunião", afirmou Pedro Tobias, estrategista-chefe da XP Investimentos.

Avaliação do Banco Central

Em nota técnica divulgada poucas horas após a publicação do IPCA, o Banco Central evitou comentar diretamente as expectativas de juros, mas reconheceu que "o conjunto recente de dados aponta para uma inflação convergente à meta com mais rapidez do que se esperava no início do ano". A meta para 2026 é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.

O presidente do Copom, Felipe Serpa, fará discurso na próxima quinta-feira em evento da Federação Brasileira de Bancos. Será sua primeira manifestação pública desde a divulgação dos dados de hoje, e o mercado aguarda sinais mais explícitos sobre o ritmo da redução de juros.

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